Supermercados poderão vender medicamentos no Brasil após aprovação de projeto na Câmara
07 de mar de 2026 - 12:36:54

Por Melquisedeque J. Santos | MTB: 0098469/SP - Vale Jornalismo Online

A Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que pode mudar significativamente a forma como os brasileiros compram medicamentos. A proposta autoriza a venda de remédios em supermercados em todo o território nacional, desde que sejam cumpridas regras específicas de segurança e assistência farmacêutica.

O texto, que agora segue para sanção do Presidente da República, representa uma antiga reivindicação do setor varejista. Caso seja sancionada dentro do prazo previsto — estimado em cerca de 15 dias — a medida passará a permitir que redes de supermercados comercializem medicamentos dentro de seus estabelecimentos, ampliando os pontos de acesso da população a produtos de saúde.

A discussão sobre o tema não é nova. Há anos o setor supermercadista defende a possibilidade de venda de medicamentos, argumentando que a presença desses produtos em grandes redes comerciais poderia facilitar o acesso da população e, ao mesmo tempo, estimular a concorrência no mercado farmacêutico.

Nos bastidores do governo, a proposta ganhou força após declarações favoráveis do ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Segundo o ministério, a ampliação dos pontos de venda pode ajudar a democratizar o acesso da população a medicamentos, especialmente aqueles considerados de uso mais comum.

A expectativa também é que o aumento da concorrência entre farmácias tradicionais e supermercados contribua para uma possível redução de preços, beneficiando diretamente o consumidor final.

Apesar da abertura para o novo modelo de comercialização, o projeto estabelece regras rígidas para evitar riscos sanitários e garantir o acompanhamento profissional na venda dos medicamentos.

De acordo com o texto aprovado, os supermercados interessados em vender fármacos deverão instalar farmácias em áreas exclusivas dentro do estabelecimento. Esses espaços precisarão ser totalmente separados das áreas onde ficam alimentos, bebidas ou produtos de limpeza.

Além disso, os medicamentos não poderão ser expostos nas mesmas gôndolas que outros produtos do supermercado, mantendo a organização e os padrões de segurança exigidos pela vigilância sanitária.

Outra exigência é que a venda seja acompanhada por profissionais habilitados, seguindo normas semelhantes às que já são aplicadas às farmácias convencionais.

A proposta ainda divide opiniões entre especialistas do setor de saúde. Enquanto representantes do varejo comemoram a ampliação do mercado e a possibilidade de maior competitividade, entidades farmacêuticas manifestam preocupação com a banalização da venda de medicamentos e os riscos da automedicação.

Para críticos da medida, a farmácia não é apenas um ponto de venda, mas também um espaço de orientação profissional, onde o farmacêutico exerce papel fundamental na segurança do paciente.

Por outro lado, defensores da proposta argumentam que, com a regulamentação adequada e fiscalização eficiente, a presença de farmácias em supermercados pode ampliar o acesso a medicamentos sem comprometer os padrões sanitários.

Se sancionada, a nova legislação deverá abrir caminho para um novo modelo de comercialização de medicamentos no país, com impacto direto no setor farmacêutico e no comportamento de consumo da população.

Nos próximos dias, o debate deve se intensificar, especialmente entre redes de farmácias, associações farmacêuticas e o setor supermercadista, que aguardam a decisão final do governo federal.

Vale Jornalismo Online segue acompanhando os desdobramentos da proposta e seus impactos para consumidores e para o mercado farmacêutico brasileiro.